Por quê os gatos nem sempre são tão espertos quanto parecem?

Referências


Uma vez ou outra ouvimos falar de gatos que se tornam agressivos com seus amigos, também felinos, após estes voltarem do veterinário, seja para uma simples consulta, seja para um tratamento. Gatos que se dão bem entre si, de repente se tornam agressivos quando o outro gato volta para casa. Isso acontece quando o gato não reconhece o outro como seu amigo. Então ele pode rosnar e até atacá-lo. O que acontece?

Será que os gatos têm uma memória tão curta assim que não conseguem mais se lembrar do gato que convivia com ele debaixo do mesmo teto? Não, os gatos têm boa memória. Isso parece ser uma espécie de "erro" no padrão de reconhecimento que também é visto nos cães. Os gatos se tornam agressivos com gatos familiares quando estes ficam doentes, machucados ou se comportam de modo diferente do normal. Há casos de cães e gatos que atacam seus companheiros quando este tem um ataque. Em alguns casos, essas agressões são bem sérias.

Os donos geralmente interpretam esse comportamento como o mais forte do grupo eliminando o mais fraco. Mas isso não faz sentido, do ponto evolucionário. Matar o mais fraco não dá nenhuma vantagem evolutiva aos outros membros do grupo, já que a maioria dos membros de grupos sociais são parentes entre si e matá-los não ajuda na propagação da espécie. E não há evidência dessas "matanças" na natureza.

Não se tem certeza absoluta do que faz o cão ou gato atacar o companheiro mas, o mais provável é que o gato que volta do veterinário e aquele que está doente age diferente e, talvez, tenha um cheiro diferente do normal. São essas diferenças que fazem os animais se reconhecerem, mesmo que eles sejam praticamente iguais. Então, esse comportamento demonstra que os gatos (e os cães) não seriam tão espertos quanto pensamos. Cães e gatos se reconhecem uns aos outros não pela aparência, mas sim pelo comportamento e cheiro. Então, quando um animal está em uma situação conflitante - "ele parece meu amigo, mas ele age e tem um cheiro diferente do dele" - ele acaba se enganando. Diferentemente de nós, gatos e cães não reconhecem um ao outro pela aparência apenas: por isso eles parecem ser meio bobinhos algumas vezes.

Uma implicação disso é que, se o dono leva um dos gatos para longe de casa por um tempo, ou se um deles fica doente, ele deve re-introduzi-lo devagar e cuidadosamente. Manter os dois separados até que se tenha certeza que se darão bem juntos (novamente). Supervisionar a introdução e tentar associá-la com coisas agradáveis, como petiscos e carinhos. Como sabemos, se falhamos na introdução (ou re-introdução), é difícil "consertá-la". O melhor é evitar os erros.

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