Circo: Diversão ou Castigo

Referências


Por trás de cada show protagonizado por animais, esconde-se uma realidade de adestramentos cruéis. A sociedade, por sua vez, começa a exigir leis que ponham fim a esses espetáculos de desrespeito.

A lona colorida, as luzes, o sorriso do palhaço. O circo atrai o público pelo clima de aparente alegria. Quem não fica fascinado pelo show dos bichos selvagens? O que a maioria das pessoas sabem porém, é que esse tipo de espetáculo esconde uma realidade de sofrimentos impostos aos animais. Elefantes, tigres, leões, ursos e macacos são separados da mãe e da família, retirados das selvas e dos zoológicos - que vendem ninhadas -, para passar o resto da vida viajando de cidade em cidade, acuados em jaulas, recebendo muitas vezes tratamento violento para aprender os truques.

"Os elefantes são capturados ainda bebês para que desenvolvam medo do domador e, ao chegar a fase adulta, façam tudo o que ele exigir", conta Florence Lambert, fundadora e diretora da Elephant Alliance, organização americana que luta para pôr um fim à exploração e à crueldade com elefantes em todo o mundo. "Os truques aplaudidos pelo público são resultado de muito sofrimento", afirma Florence.

A tristeza atrás dos refletores

Confinados em jaulas ou amarrados, sem poder se locomover, os animais tornam-se estressados e deprimidos. É por isso que os elefantes fazem movimento de balanço e os tigres e leões andam de um lado para outro atrás da grades. Os truques são memorizados com castigos, que, muitas vezes, incluem privá-los de alimentação. "Quando os elefantes não fazem o movimento certo, recebem uma chicotada ou um choque elétrico. Puxados pela tromba, orelhas ou pernas traseiras, eles são amarrados a correntes e surrados. Para evitar o sofrimento, eles "obedecem o domador" diz Laurence.

Como o animal pode ser feliz acorrentado?

Da mesma forma, os domadores são acusados de chicotear leões - que se intimidam durante o espetáculo ao ouvir o estalo já conhecido - e de usar chapa quente para forçar os ursos a "dançar". Para que haja uma mudança nesse quadro, é necessário que as pessoas se conscientizem da realidade. O público e os aplausos incentivam a continuação desses shows. "Há quem diga que ir ao circo é importante para a formação das crianças. O correto é ensiná-las a proteger os bichos", declara Megan Hartman, coordenadora de campanha da Peta, entidade americana de defesa animal.

A proibição de bichos nos circos já ocorre em várias cidades do mundo, como Belfast, na Irlanda; Vancouver, Canadá; Hollywood, Tacoma Park, Quincy, Redmond, Fair City e Corona City, nos Estados Unidos; e Pereira City, na Colombia.

Panorama Brasiliero

No Brasil, a recente conquista das entidades de proteção animal do Rio de Janeiro - aprovação de lei proibindo espetáculos com animais no estado - indica uma mudança na sociedade. Rui Grande do Sul e Pernambuco podem ser os próximos estados a implantar leis semelhantes. No plano municipal, São Leopoldo, RS e Cotia, SP, já proíbem apresentações com exploração de bichos. Em Porto Alegre, também deve ser votado projeto de lei sobre o assunto. Enquanto os outros estados não se manifestam, cerca de 600 animais permanecem enclausurados em circos grandes ou pequenos. Segundo o IBAMA, são 150 cavalos, 100 cães, 90 leões, 80 tigres, 50 camelos, 50 chimpamzés, 26 elefantes, 12 lhamas, 10 zebras, 10 hipopótamos, 3 girafas e dois rinocerontes.

Nossa legislação não regulamenta os direitos dos animais exóticos (que não pertencem à fauna brasileira). Dessa forma, o IBAMA - que seria o orgão responsável - não tem poderes para fiscalizar. O orgão do governo só entra em ação depois de receber denúncias de maus tratos. Foi assim, denunciando a crueldade, que Celina Valentino, da Sociedade Zoófila Educativa, conseguiu retirar 10 leões maltratados de circos e encaminhá-los ao zoológico." Se o público conhecesse o bastidores, jamais assistiria aos shows".

Circo Legal

Nem todos os circos incluem animais em suas apresentações. Essas companhias têm conquistado cada vez mais a simpatia do público. À medida que a população começa a se conscientizar sobre a dura realidade dos bastidores, os circos alternativos ganham espaço. Em terras brasileiras, o Circo Popular do Brasil, do ator Marcos Frota, e o Circo-Escola Picadeiro, de São Paulo, são exemplos bem-sucedidos sem animais. Sem falar no Cirque du Soleil, consagrado no mundo todo. Prova de que não é preciso animais para fazer os olhos da platéia brilhar e seus rostos se iluminarem de alegria. Deixemos os animais em paz!

COMO PROTESTAR
Para acabar com os maus-tratos aos animais em circos, é preciso que cada cidadão faça a sua parte:

Leve informações a crianças e adultos (imprima esta página e comente com amigos e colegas)

Denuncie maus-tratos

Não vá a circos que apresentem animais

Exija a fiscalização das autoridades

Organize ou assine abaixo-assinados de entidades de proteção animal

Escreva mensagens de apoio ao PL 2875/00, autoria Dep. Federal Celso Russomao, que proíbe a apresentação de animais em circo:dep.celsorussomanno@camara.gov.br

*Texto cedidos pelo periódico "Notícias da Arca"

Referências

Vida de Cão
Fernanda Danelon