Castração

Referências


Hoje em dia, muitas coisas vêm sendo ditas sobre a importância da castração para os nossos animais. Para as fêmeas, por exemplo, uma castração precoce (por volta dos 4 meses de idade) reduz em cerca de 99% os riscos de um tumor de mama. Porém, alguns cuidados devem ser tomados quando estamos lidando com uma cirurgia, seja ela de macho ou fêmea.

Com o avanço da medicina veterinária, hoje em dia temos alguns tipos de anestesias. Existem aquelas de rotina aplicadas IM (intramuscular) ou IV (intravenoso) e temos a anestesia inalatória, muito usada para cães idosos ou com problemas de saúde. Esta última é mais segura, pois nos permite ministrar a droga sem que a mesma fique em excesso no organismo.

Embora procuremos seguir uma regra, há muita diferença de animal para animal. O principal problema da anestesia inalatória é o preço, pois acaba saindo mais caro que a anestesia convencional. Por isso, ser coerente com o tipo de anestesia a ser usado é o primeiro passo. Depois vem a escolha do profissional e a confiança que você coloca nele. Pergunte sempre que tipo de anestesia seu veterinário irá utilizar, que riscos o animal corre com esse tipo de anestesia, preço, tempo estimado de cirurgia e cuidados a serem tomados no pré e pós-operatórios. É importante que você saiba exatamente o que será feito e as complicações que podem ocorrer durante o ato cirúrgico.

A castração deve ser feita com o máximo de assepsia, tanto da sala como do veterinário. Uma cirurgia não é uma receita de bolo, pois cada animal pode ter problemas que jamais pensamos que tem. Em algumas ocasiões, quando submetemos um animal a uma anestesia e cirurgia podemos constatar algumas doenças que não percebemos em exames clínicos.

Animais idosos, a partir de 9 anos (dependendo da raça até antes dessa idade) devem se submeter a exames complementares pré-cirúrgicos. Sabendo do resultado, a anestesia deve ser escolhida cuidadosamente. Marcar a cirurgia com antecedência e respeitar as recomendações do médico veterinário são imprescindíveis para o sucesso da mesma.

Seja claro sobre o que quer com a castração e pergunte ao veterinário que procedimento ele acha o melhor para o seu animal. Assim você pode esperar do profissional veterinário uma ótima conduta.

Seguir as recomendações do pós-cirúrgico também é muito importante, pois os animais não pensam e muitas vezes fazem as coisas sem saber. Fêmeas após a cirurgia recebem uma roupa cirúrgica e um colar elisabetano e por isso, além da anestesia e da dor, ficam mais quietas, mas após uns 2 dias já se sentem melhor e vão imediatamente tentar tirar os pontos e a roupa cirúrgica. Se elas não estiverem devidamente preparadas com o colar e a roupa podemos ter uma tragédia. Você não deve ter dó de colocar o colar, mas sim dó do animal se ele retirar todos os pontos e necessitar de outra cirurgia, só que agora com o agravante da contaminação. Tive um caso em minha clínica de uma rottweiler que os donos ficaram com dó e tiraram o capacete. Uma hora depois, ela estava com o intestino todo para fora, pois havia tirado todos os pontos com a boca. Imagine isso acontecer com seu animal...

Para machos, o procedimento cirúrgico é mais simples e rápido. Eles vão para casa após o retorno da anestesia e não necessitam de nenhum cuidado especial.

Certifique-se de que o procedimento cirúrgico será mesmo executado por um veterinário, pois hoje em dia existem pessoas não formadas castrando animais a preços mais acessíveis, mas o que acontece é que, se algum problema ocorrer durante o ato cirúrgico, esses animais acabam morrendo por inexperiência e irresponsabilidade.

Seja responsável. Castrar é um ato de amor, e castrar com um profissional é racional.

Pesquisas recentes nos EUA indicam a castração antes da puberdade e apresentam suas vantagens. O objetivo do presente artigo é debater o assunto, questionando e discutindo se realmente existem efeitos negativos, geralmente atribuídos à carência hormonal.

A principal doença reprodutiva das cadelas, e o tumor mais comum de cadelas sexualmente intactas, é o tumor de mama. Ele é o segundo tumor mais freqüente em cadelas e o terceiro mais comum em gatas. É provado que a sua incidência cai para 0,5 % quando a cadela é castrada antes do primeiro cio, mas o efeito da castração na diminuição da incidência deste tumor vai diminuindo com o tempo, sendo que não se altera se a cadela for castrada após o segundo cio. Já nas gatas, a ocorrência de tumor de mama é sete vezes maior em fêmeas não castradas do que naquelas castradas.

Além dos tumores de mama, a castração precoce previne virtualmente quase todos os outros tumores relacionados ao sistema reprodutor, tanto em machos quanto em fêmeas, assim como outras doenças do sistema reprodutor. Por exemplo, uma doença muito comum em cadelas e gatas,principalmente naquelas que receberam hormônios para evitar o cio, é o Complexo Hiperplasia Endometrial Cística PIOMETRA, doença que se não for tratada a tempo, ou seja, se não for realizada a retirada do útero, pode levar a morte.

Custos

Economicamente, a cirurgia em filhotes é muito menos onerosa do que em adultos, pois consome menores quantidades de anestésicos e materiais em geral, sem ainda falar no tempo, pois a cirurgia é muito mais rápida do que no animal adulto. Outra vantagem em se castrar filhotes é fazer com que após a adoção, não exista o risco destes animais se reproduzirem e agravarem problema da superpopulação, pois a maioria dos proprietários não está consciente do problema e deixa seus animais se reproduzirem sem critérios. Quando se trata da fêmea o quadro é ainda pior, pois, muitas vezes o que vemos são os donos matarem os filhotes assim que nascem ou jogá-los na rua para que morram ou sejam adotados, e quando eles sobrevivem acabam se tornando cães vadios , sem dono, passando fome nas ruas e transmitindo doenças para outros animais e mesmo para as pessoas. O que fazer? Ser conivente com a carrocinha e o sacrifício em massa , ou adotar uma política consciente de castração?

Mitos e Preconceitos

Embora com o conhecimento das vantagens que a castração precoce pode propiciar, ainda existe um receio por parte dos veterinários e da própria população em castrar animais jovens. Os principais problemas citados na literatura mais antiga, e que caíram na crença popular são citados e discutidos a seguir.

1. Retardo no Crescimento

A maturidade do esqueleto está muito relacionada a puberdade e sofre ação direta dos hormônios sexuais, além de outros. Embora não essenciais, os hormônios sexuais influenciam em todo o metabolismo do esqueleto. Dessa forma foi constatado que a castração precoce atrasa o fechamento das epífises ósseas, o que quer dizer que o animal permanece em fase de crescimento por mais tempo e com isso tem estatura ligeiramente maior do que teria se não fosse castrado; além disso não ocorrer em todos os animais castrados antes da puberdade, este efeito não traz nenhum problema, uma vez que não estamos falando de padrões de raça em animais que participam de competições, pois, os animais para exposição devem reproduzir. Quanto ao maior risco de fraturas, nada foi comprovado a respeito e, na experiência dos autores onde mais de 13 filhotes castrados, entre cães e gatos, nenhum apresentou qualquer alteração significativa.

2. Obesidade

Cientificamente foi provado que aproximadamente 30% das cadelas castradas engordam devido ao aumento do apetite, e parece que o mesmo ocorre em gatas. Porém, se a ingestão de alimentos for controlada após a cirurgia esse problema tende a diminuir. Estudos realizados em ratos e seres humanos, mostram que se a castração for feita antes da puberdade não há aumento na tendência a obesidade, e o mesmo foi comprovado em nosso estudo com cães e gatos onde nenhum dos filhotes castrados engordou em demasia após a cirurgia.

3. Problemas de pele

Vários problemas de pele tem sido atribuídos a castração, como dermatites e queda de pelos, mas nenhum trabalho comprovou que tais problemas fossem inerentes à castração uma vez que animais não castrados também apresentam estes problemas.

4. Mudança de comportamento

É da crença popular que animais castrados ficam mais mansos e preguiçosos. Vários trabalhos tem sido feitos comparando em competições o comportamento e performance dos animais que foram castrados após a puberdade, mas quando receberam a mesma alimentação e cuidados que os animais inteiros não mostraram nenhuma diferença Por outro lado, com relação a "vadiagem", ou seja, o fato dos animais, principalmente machos (cães e gatos), viverem fora de casa, procurando fêmeas no cio ou brigas com outros machos, estes hábitos diminuem em 90 % dos casos após a castração, além de reduzir consideravelmente a agressão entre machos e a marcação de território com a urina. Vale ressaltar que outros tipos de agressividade, principalmente no caso de cães de guarda não é afetada. Concluindo, nenhuma diferença de comportamento nas brincadeiras, caça, monta, dominância e guarda, ocorre em animais castrados, seja precoce ou tardiamente.

5. Problemas urinários

Relativamente muito pouco se sabe com relação aos efeitos dos hormônios sexuais sobre o sistema urinário em cães e gatos. Porém, sabe-se que os problemas antigamente atribuídos à castração, como aumento da predisposição a obstrução uretral em gatos, ou a incontinência urinária em cadelas, ainda merecem maiores esclarecimentos. A incidência de obstrução uretral em gatos é a mesma em gatos castrados ou não, embora os mecanismos dessa patologia ainda não tenham sido esclarecidos. Com relação a incontinência urinária em cadelas, ela pode ocorrer de semanas a anos após a cirurgia de castração, assim como em cadelas inteiras. Vários problemas anatômicos e fisiológicos estão associados ao problema e não se tem ainda uma causa definida. Se há influencia hormonal, não há evidencias que sugiram que a castração precoce irá potencializar o problema.

6. Riscos anestésicos e cirúrgicos

Quando filhotes com menos de 12 semanas são anestesiados, atenção especial deve ser dada para o pequeno tamanho do paciente e as diferenças na distribuição, metabolismo e excreção dos anestésicos mas, de maneira geral a cirurgia é feita em menos de 15 minutos nas fêmeas e 5 minutos nos machos, tornando-se bastante segura.

7. Predisposição a doenças infecto-contagiosas

Uma das maiores preocupações daqueles que adotam a castração precoce é saber como o stress da anestesia e cirurgia irá afetar a susceptibilidade a doenças infecto-contagiosas como a Parvovirose ou Cinomose. Quando a cirurgia é feita até os 30 dias de idade, os filhotes se recuperam imediatamente após o término da anestesia e já começam a mamar e brincar uns com os outros mostrando que o stress é mínimo assim como a dor parece ser a mesma de um corte de rabinho, o que não ocorre em adultos os quais sentem muita dor e às vezes passam um ou dois dias muito apáticos e sem se alimentar após a cirurgia. De maneira geral vemos que a castração precoce só traz vantagens e que é necessária a ajuda de todos aqueles que gostam de animais para que possamos acabar com esse quadro horrendo que povoa nossas ruas e canis municipais, sempre lotados de cães a espera da morte.

Referências

Dra. Patrícia C. de Checchi
CRMV-SP 10225
www.puppylove.com.br

Patrícia Arrais Rodrigues da Silva CFMV 0773 (Brasília -DF)
Clínica è Centro Veterinário do Gama