Cão de grife

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Roupas e acessórios seguem os ditos da estação e da moda. São produtos perecíveis, de acordo com o gosto e o humor de quem compra. Mas, estranhamente, nos últimos dois anos esta regra tem se aplicado a outro tipo de "mercadoria". Animais de raça estão sendo abandonados, simplesmente porque a moda passou. Comercializados como produtos, chamados de "exemplares", os melhores amigos do homem agora estão sujeitos a serem abandonados pelos mais fúteis motivos.

Os números assustam. No ano passado, o crescimento ficou em 11%. Este ano o aumento já chega a 25%, totalizando 908 animais de raça abandonados na SUIPA, a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais no Rio de Janeiro, nos últimos 12 meses. Nesta estatística, poodles e pastores são campeões de raças abandonadas. "É como trocar de roupa. Os animais estão sendo tratados como roupa de grife", diz Isabel Cristina Nascimento, diretora da SUIPA.

Segundo Isabel, a facilidade na venda de animais puros é um dos fatores que influenciam esta pratica. "Algumas pessoas que estão desempregadas, e têm um casal de animais de raça, começam a cruzar para vender", explica a diretora, que ainda chama a atenção para as condições em que, muitas vezes, essas criações são feitas. "São canis de fundo de quintal, sem nenhuma higiene e cuidado com os animais", diz ela.

Os riscos da prática são grandes. Os filhotes vendidos nestas condições podem trazer doenças que, muitas vezes, também provocam o abandono. A diretora da SUIPA lembra que não basta apenas os pais serem de raça, é necessário que sejam saudáveis e que a fêmea tenha cuidados especiais durante a gestação. Assim, as chances de nascer um filhote saudável são maiores.

A questão da moda também é um dado alarmante. "Depois que acabou a onda do filme '101 Dálmatas' recebemos um grande número de animais desta raça", conta Isabel, que teme agora uma enxurrada de labradores nos próximos anos. "Uma mulher deixou seu cocker spaniel no abrigo porque seu filho quer um labrador que está na moda" denuncia.

O labrador, hoje, é uma das raças mais procuradas por quem deseja ter um animal de estimação. Já houve a temporada do fila, do rottweiller, do pastor alemão e muitos outros. "As pessoas não têm mais apego aos animais. Como alguém pode trocar um companheiro de anos por outro?", questiona Isabel, contando que ainda se impressiona com a falta de carinho e cuidado das pessoas com seus bichinhos. "A maioria dos animais deixados aqui está doente. Eles são vítimas da negligência de seus donos" brada Isabel, que mesmo sem espaço na SUIPA, não deixa de receber cães e gatos deixados por seus próprios donos na instituição.

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Eleonora Engler
crmv-rs 2206