Cuco Canoro e Rabilongo

Cucos  Canoro  Rabilongo


Cucos em geral

Os Cuculiformes foram divididos em duas famílias que tem poucas afinidades entre si. Trata-se dos Cuculídeos, que se encontram os verdadeiros cucos, e os Musofagídeos, que são os turacos. As 127 espécies de cuculídeos alimentam-se basicamente de insetos e seu tamanho varia do de um pardal ao de um corvo. A maioria são aves arborícolas, mas alguns são terrícolas e têm as patas mais longas. No entanto, a característica mais curiosa do grupo é de parasitismo de criação de muitos dos gêneros que o constituem. A maioria dos cucos parasitas fazem parte da subfamília dos Cuculíneos, que agrupa 16 gêneros e 47 espécies e ocupa praticamente o mundo todo, menos nas Américas. O mais conhecido é o Cuco Canoro, mas há outros não menos importantes, como o cuco-rabilongo, o cuco-negro da África, o cuco-esmeralda, o koel, amplamente distribuído na Índia e China até a Nova Guiné e Austrália, e o cuco-brilhante, que se 
reproduz na Nova Zelândia e migra até as ilhas Salomão, realizando uma das mais notáveis migrações conhecidas numa ave terrestre. 

Os cucos não parasitas formam a maior parte das outras cinco subfamílias em que se dividiram os Cuculídeos. De um modo geral, constroem ninhos nas árvores, à base de ervas e pequenos ramos, e aí põem dois a seis ovos, frequentemente azulados, mas que podem ser de várias cores, e tanto uniformes (uma cor só) como malhados.

Cuco Canoro

Características

Cauda longa e asas pontiagudas, com aspecto de pequena ave de rapina, quando voa. Partes superiores acinzentadas, assim como a cabeça e o pescoço. Partes inferiores barradas de branco e cinzento. Bico ligeiramente curvo. Patas amareladas. Algumas fêmeas são avermelhadas e estão listradas de escuro tanto na parte superior como na parte inferior.  Comprimento: 33 cm. 
Peso: 90 a 135 gramas. 
Alimentação: Fundamentalmente insetívora. 
Postura: Um ovo por ninhada, em 8 a 12 ninhadas. 
Incubação: De 12 a 15 dias.

Reprodução

Dias antes da postura, a fêmea do cuco vigia atentamente os movimentos de um casal de pássaros insetívoros, não um casal qualquer, mas de uma determinada espécie, variável para cada fêmea. Trata-se de aves iguais às que a criaram. 

Depois de 12 ou 13 dias de incubação, algumas vezes um pouco antes dos outros filhotes nascerem, nasce o cuco, que antes de 10 horas de vida começa a jogar para fora do ninho seus "irmãos" ou os ovos, até ficar só e ter só p/ ele a atenção da fêmea que, em pouco tempo, fica muito menor que seu "filho". 

Cuco Rabilongo (Clamator glandarius)

Crista plumosa de cor cinzenta. Partes superiores cinzenta escuras com manchas brancas. A cauda, de cor cinzenta, tem os bordos brancos e o dorso tem manchas brancas. Partes inferiores esbranquiçadas. O jovem não tem crista, é muito escuro por cima e de tons amarelados ou canela por baixo. 
Comprimento total: 39 – 42 cm. 
Alimentação: Insetívora, devora muitas larvas de processionária. 
Postura: 1 a 2 ovos. 
Incubação: 14 dias. 

Reprodução

O cuco – rabilongo instala-se nos pinhais do Sul da Europa nos primeiros dias de Março. Esta é uma ave do matagal mediterrâneo, mas o seu parentesco com o cuco – canoro e os seus hábitos de parasita o descrevem como usurpador de ninhos alheios. O cuco – rabilongo, ou cuco – real, é parasita dos corvídeos e das pegas – rabudas, de tal maneira que existem poucos casos de cucos – rabilongos em ninhos de outras aves. A fêmea do rabilongo, aproveitando a ausência das pegas, põe o ovo no seu ninho – às vezes dois – e depois abandona a região. O pequeno cuco – rabilongo, ao contrário do cuco – canoro, convive com seus meio – irmãos no ninho, ao invés de eliminá-los. Mas, mesmo assim, tem um processo muito mais sutil e refinado para exceder as pegas que compartilham o ninho com ele. Durante a alimentação dos filhos, as mães se sentem estimuladas a introduzir alimentos nas fauces destes devido à cor rosada e reluzente no interior das mesmas. Uma força irresistível atrai as aves para o ninho habitado pelas criaturas extremamente atraentes que apresentam cores fortes no interior de seus bicos. 

Os jovens cucos – rabilongos apresentam um esquema cromático na região das mucosas que tem no interior de sua fauce, tendo logo um poder atrativo superior ao dos seus meio – irmãos. Em consequência dessa maior atração, os cucos – rabilongos são alimentados com muito mais assiduidade pela pega – rabuda que os seus verdadeiros filhos. 

A rapidez do crescimento do cuco desencadeia a tragédia, porque aproximadamente 24 dias depois de eclodir, estas aves abandonam o ninho, reclamando com insistência a atenção dos pais que se dedicam quase exclusivamente à alimentação deste, enquanto as pegas morrem de inanição e abandono no próprio ninho.  

Este mecanismo de criação torna-se benéfico na ecologia das zonas habitadas por pegas – rabudas e cucos – rabilongos, porque as pegas são muito numerosas, prolíferas e daninhas, quando em número muito abundante, para numerosas espécies de aves, às quais roubam ovos e crias. Os cucos limitam o crescimento da população de pegas.